Reportagem mostra o cuidado da Igreja com os padres

  • 21/07/2026

Ante os desafios da saúde emocional dos sacerdotes, a Igreja aponta caminhos de cuidado que unem fé e razão. Na segunda reportagem da série “O cuidado com quem cuida: a saúde emocional dos padres à luz da igreja”, mostramos como esse zelo começa na formação e acompanha o sacerdote por toda a vida.

Reportagem de Liana Nunes
Imagens de Sanny Alves, Alberes Cruz e Ersomar Ribeiro

Antes de chegar ao altar, o futuro sacerdote passa por um caminho de formação, escuta e discernimento. No seminário, a Igreja busca formar homens capazes de viver a vocação com maturidade humana, espiritual e afetiva. O cuidado com a saúde emocional começa no acompanhamento, na vida comunitária, na direção espiritual e na formação integral de quem se prepara para servir o povo de Deus.

“Desconsiderar a parte humana e seria destoar de tudo aquilo que Cristo foi e assumiu. Ele assumiu a nossa condição, a condição humana”, contou o vice- reitor do Seminário da Arquidiocese de Brasília, padre Cícero Lima. 

Para quem está em formação, o caminho vocacional também passa pelo conhecimento de si. “O jovem deve ser direcionado, formado para esse processo de autopercepção, de autoconhecimento, de também superação das dificuldades, de assumir as responsabilidades, de perceber as lacunas, as feridas e buscar sempre essa plenitude, essa integração em vista, claro, da missão”, retomou padre Cícero. 

O seminarista aprende a rezar, estudar, servir e conviver, mas também é chamado a olhar para a própria história, reconhecer limites e discernir com liberdade interior se aquele é realmente o chamado de Deus. 

“Todo grupo formativo tem justamente a intenção de nos ajudar a entender como esse chamado chegou a nós pela nossa história de vida e também como esse chamado vai sendo amadurecido à medida que nós progredimos na vida vocacional”, contou o seminarista, Alberto Vitório Neto.

“Um dos principais aspectos que o seminário busca nos formar é na humanidade, de entender o que é, o que são seus sentimentos, como entender a si mesmo, como amadurecer humanamente falando, então aprender a lidar com os outros, aprender a lidar comigo mesmo, as minhas fragilidades”, relatou o diácono, Gabriel Alves.

Mas a Igreja lembra no diretório para o ministério e a vida dos presbíteros que o cuidado com o padre continua ao longo de toda a vida sacerdotal. Não é algo restrito ao tempo de seminário, nem apenas aos momentos de crise. Ele também se constrói na vida cotidiana, nas relações de confiança e na fraternidade sacerdotal.

Padre Roger Luis recorda que é no encontro com outros sacerdotes, na partilha sincera, na oração comunitária e na amizade vivida em Cristo, que muitos encontram força para servir com alegria. “A gente costuma dizer, somente um padre para entender o outro padre, porque existem problemas práticos nossos do cotidiano, problemas que a gente enfrenta dificuldades, fraquezas, situações que o outro padre é para nós, é esse lugar de descanso.

E a fraternidade sacerdotal, ela precisa ser cada vez mais cultivada e trabalhada. Não só com os irmãos de turma, que eu falo que é mais fácil porque já conviveu naquele período de seminário, mas com todo o clero. É, nós somos irmãos”, ressaltou o presidente da Comunidade Canção Nova, padre Roger Luis. 

Os caminhos de cuidado existem e precisam ser acolhidos com seriedade e humanidade. Quando o padre percebe que o peso ficou grande demais, pedir ajuda não significa falta de fé nem fraqueza na vocação. Significa reconhecer que ele também é humano, tem limites e precisa de apoio para continuar servindo.

“A partir do momento que eles começarem a se perceber diferentes no seu comportamento, e essa percepção às vezes não vem direto deles, vem de sinalização de outros párocos, do diácono, de alguém da própria paróquia, ‘nossa, padre, o senhor está irritado hoje, o senhor tá mais bravo ou então mais introspectivo’, uma pessoa que às vezes é mais expansiva, se torna um pouco mais reservada. Isso daí também já mostra e é um sinal até bem importante de que algum problema está começando a surgir”, afirmou a psiquiatra, Ana Paula Faber. 

Existe a parte humana que não tem jeito, que ela cansa, que ela é exigente, que ela esgota. Existe a parte da decepção que muitas vezes ela é comum de acontecer, onde existem seres humanos, existem cobranças excessivas, não é, que hoje as pessoas se manifestam, com muita, às vezes clareza e também falta de misericórdia. Então, todo componente do contexto atual exige muito do padre.

É nesse encontro entre fé e cuidado que a dor pode deixar de ser silêncio e se transformar em caminho de cura no coração daquele que um dia respondeu com generosidade ao chamado de Deus e continua a renovar diariamente o sim da vocação sacerdotal.

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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/reportagem-mostra-o-cuidado-da-igreja-com-os-padres/


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